Forró sim! Fogos não! Cocar e Amor Animal dizem não ao barulho dos fogos de artifício

Representantes do Cocar e do Amor Animal durante encontro na sede do Cocar neste domingo.
(Foto: Zalxijoane Lins).
Forró sim! Fogos não! Com este lema, o Coletivo Cultural de Arcoverde (Cocar) e o Grupo Amor Animal Arcoverde firmaram neste domingo (29) um compromisso em prol do bem estar dos animais e também de uma grande parte da população que é prejudicada com a excessiva queima de fogos durante a realização de eventos no município de Arcoverde.

O Cocar se comprometeu com o Amor Animal que durante a realização da 8ª Caminhada do Forró - que será no dia 23 de junho - não haverá queima de fogos de artifício na concentração, no percurso e nem no encerramento do evento.

"Nós temos acompanhado o importante trabalho que as voluntárias do Grupo Amor Animal desenvolvem na nossa cidade e um dos principais pontos combatidos - em épocas de grande eventos -é justamente a desenfreada queima de fogos que tanto incomoda (e faz mal) a animais, bebês, idosos e também a muitas pessoas que são prejudicadas com o barulho produzido", explicou o diretor do Cocar, Kleber Araújo.

As integrantes do Amor Animal ficaram animadas com a iniciativa do Coletivo Cultural e esperam que esse exemplo seja seguido em outros eventos (públicos e privados) e também por políticos, igrejas e pelas pessoas em geral. "Para nós é uma grande alegria saber que um evento tão grandioso como a Caminhada do Forró tenha essa iniciativa. Esperamos que seja o primeiro de muitos que tenham essa consciência. Nós temos dados alarmantes sobre o impacto negativo que o barulho da queima de fogos de artifício gera nos animais de estimação", contou Ana Carolina Vidal, integrante do Amor Animal.

O encontro aconteceu na sede do Cocar, no Centro de Arcoverde, onde estiveram presentes as representantes do Grupo Amor Animal Lucineide Lacerda, Ana Carolina Vidal e Thamyris Teixeira. Representando o Cocar estavam o diretor Kleber Araújo e o produtor Jean Carlos.

No dia da Caminhada o Grupo Amor Animal estará presente distribuindo panfletos e conscientizando as pessoas sobre o assunto. O Cocar também disponibilizará uma parte das camisas do evento em benefício do grupo voluntário. O lançamento da Caminhada em Recife será no dia 26 de maio na casa de forró Sala de Reboco, no bairro do Cordeiro. O evento ocorrerá durante o XV Forró dos Arcoverdenses.

Caminhada 2018 - A concentração será mais uma vez nas proximidades da Estação da Cultura e está marcada para começar às 10h. Neste ano o evento promete muitas novidades e uma melhor infraestrutura para o público. O homenageado da festa em 2018 é o radialista Jennecy Manguaça, um dos personagens mais conhecidos do São João de Arcoverde, pela sua participação irreverente como apresentador nos polos de animação.

Em 2017, a Caminhada do Forró atingiu um público superior a 10 mil pessoas e levou o melhor das tradições juninas para as ruas de Arcoverde, tendo como ponto final a feira do Cecora. 
 

Impactos dos fogos de artifício sobre os animais - Usados há milhares de anos pelos chineses para afugentar maus espíritos e posteriormente em celebrações e festejos pelo mundo todo, os fogos de artifício perturbam não somente animais domésticos, bebês, crianças pequenas e alguns idosos como também causam inúmeros desconfortos na vida selvagem, podendo até provocar a morte de muitas espécies de animais. O som ensurdecedor e o brilho intenso emitidos em shows pirotécnicos são fontes de perturbação para inúmeras espécies de animais domésticos e silvestres no mundo todo.

​É do conhecimento de todos que os animais domésticos e de criação se afligem bastante com o barulho das explosões de fogos de artifício. Há relatos de cães que fugiram, se machucaram e tiveram ataques de pânico e desmaios durante um show pirotécnico nas proximidades. Os ouvidos super sensíveis dos cães e dos gatos, bem como de muitos animais silvestres, tornam o ruído dos estouros muito mais perturbador e assustador. E há os casos de pets que apresentam problemas neurológicos ou cardíacos. O estresse e o medo podem causar vômitos, falta de ar, convulsões e arritmias cardíacas nesses casos.

As consequências desse tipo de estresse em animais domésticos é fácil de ser percebida, verificada e estudada. Mas como determinar os impactos causados à fauna silvestre? Como os shows pirotécnicos acontecem à noite, as respostas comportamentais dos animais são difíceis de serem percebidas e quantificadas.

Para conseguir mensurar adequadamente e fundamentar as evidências dos efeitos negativos dos fogos de artifícios sobre as vida selvagem, pesquisadores holandeses utilizaram um radar meteorológico, que foi adaptado para localizar aves de grande tamanho corporal, como gansos. Os dados coletados em três réveillons consecutivos demonstraram que após a meia noite estas aves levantaram vôo, muitas permanecendo em torno dos 500 metros de altitude (quando o usual é até 100 metros) e a agitação durou cerca de 45 minutos. Algumas destas aves voaram muitos quilômetros antes de pousar e descansar. Isso sem dúvida gerou uma carga muito grande de estresse nesses animais.

Em 2012, uma pequena cidade do Arkansas, EUA, foi manchete quando centenas de tordos-sargentos (Agelaius phoeniceus) foram encontrados mortos após o réveillon. Fatos semelhantes ocorreram na Louisiana e na Suécia. E o problema se repete em outras comemorações. Em 2007 pesquisadores registraram que um grande número de aves marinhas abandonou seus ninhos após as celebrações do dia da independência em Gualala, EUA. Apesar de muito protesto, os fogos foram proibidos nesta localidade em 2008. A cidade de Monrovia, na California-USA, também proibiu o uso de fogos de artifício por diversas razões, dentre elas incêndios e acidentes.

Além do problema da poluição sonora intensa e das consequências desagradáveis e até mesmo trágicas causadas pelos ruídos da explosão, o processo de fabricação dos fogos e também a sua queima liberam percloratos, que contaminam o ar e os corpos d’água. Estas substâncias inibem o funcionamento da glândula tireóide, alterando o crescimento, desenvolvimento e metabolismo de várias partes do organismo dos animais que entram em contato com este poluente. Seus efeitos são conhecidos tanto em animais silvestres como em humanos.

Acreditamos que a proibição de shows pirotécnicos seja uma meta impossível de se cumprir mas é possível pensar em soluções que minimizem os impactos na saúde e bem estar das pessoas e seus pets e na vida selvagem. Em casa, procure deixar livre o acesso a locais onde os animais de estimação possam se esconder e tente abafar o som com cobertores nas portas e janelas; se possível, não deixe o animal sozinho.

Outras medidas que podem ser adotadas são instalar os fogos de artifício bem longe de centros residenciais e proibir a realização de shows pirotécnicos em localidades próximas a áreas de preservação, pois além do impacto para a fauna existe sempre o risco de incêndios. Outra medida interessante para minimizar o impacto à avifauna seria concentrar mais a queima de fogos. Assim, as aves teriam mais chances de encontrar um lugar calmo e seguro, em vez de ficarem voando de um lado para o outro, assustadas por barulhos que vêm de diferentes direções.

Forró sim! Fogos não!

Conteúdo exclusivo - De 1ª Categoria, com informações do Cocar.
Logomarcas: Reprodução/Amor Animal/Cocar.
Texto de Cristina Zampa Sanchez, Bióloga e Educadora Ambiental, voluntária do Instituto Últimos Refúgios.

Um comentário:

  1. Bem interessante este projeto.
    Valioso para proteção dos animais.
    Parabéns pela iniciativa.

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